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História

Alegria de viver, apesar de tudo

História de: Antonio Freire de Andrade
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 19/12/2014

Sinopse

Antônio Freire de Andrade nasceu em Matões, município de Caucaia (CE) em 5/2/1945 e sempre morou na região. Filho de agricultores, seguiu o trabalho dos pais. Conta com muito humor a sua vida ainda que diante das dificuldades que teve - restrição alimentar na infância, abandono do pai, etc - e que vem tendo. Ele cuida do filho adulto deficiente e da esposa com restrições motoras após ter sofrido um AVC, além de cuidar das netas, após o suicídio da filha, motivo esse que fez toda a família sair da casa onde morava. Narra o cotidiano da vida em uma comunidade rural, o trabalho árduo na agricultura familiar de subsistência, as festas religiosas, as novenas, o forró, as parteiras (chamadas de “cachimbeiras”), entre outros aspectos, como a mobilização recente pelo reconhecimento dos Anacés, povo do qual se reconhece pertencente. 

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História completa

Meu nome é Antônio Freire de Andrade, nasci aqui em Matões, município de Caucaia (CE) em cinco de fevereiro de 1945. Meus pais, Adelino Freire de Andrade e Josefa Ribeiro de Andrade, eram daqui, sou filho nativo do lugar. Eles plantavam mandioca, o milho, o feijão, a batata, o arroz, a cana, enfim. A vida aqui era agricultura, não existia outro ramo que senão agricultura. Era trabalhar na roça, de dia na agricultura e de noite era na criatura. Catorze filho a minha mãe teve, mas só se criou 12 filho.

A casa, a casa era uma casa grande, porque tinha que ser grande pra modo de a família que era grande. Casa de palha, taipa. Naquele tempo era toda esburacada e coberta de palha. Cinco cômodos. Cada qual com a sua redinha. Minha mãe cuidava de nós todos e cuidando da casa, dos animais que pertencem à mulher, como galinha, peru, capote, porco, cabra. E o véio, meu pai, era trabalhando na luta, cuidava dos animais, como jumento, cavalo. Ele era muito trocador, ele tinha muito animal. E trabalhando na luta pra sobreviver.

A infância era uma delícia. Era um sofrimento gostoso. Foi uma infância sofrida, gostosa, mas era sofrida. Eu não tinha o direito a sair pra brincar, minha infância era na luta, trabalhando de sol a sol, dia a dia. Eu com 18 anos, dia de domingo era que eu pedia pro meu pai pra sair, dar um passeio, olhar um futebol dos amigos lá, mas tinha aquela hora marcada pra mim chegar e tinha hora marcada pra eu sair. E não chegasse, não. Se não chegasse na hora ele [o pai] tinha um puxão de orelha. E feliz quando não apanhava.

As festa eram os forró. Forró, o pé-de-serra, do barro batido, puxado na base do fole de oito baixo, violão e o zabumba e pandeiro. Eu gostava de um forró. Mas eu só tive liberdade de ir pro forró e curtir até a hora que eu quisesse, depois de casado, não vou mentir. Antes eu não podia ir porque toda minha vida eu respeitei meu pai, como era de costume, todo mundo respeitava os pai até depois de casado. Mas depois de casado, quando casava um filho, os pai dizia: “Agora você é dono das suas venta, faça o que quiser”. Mas nunca que eu passei do limite porque eu sempre tive a minha responsabilidade. Foi uma educação que o meu pai me deu: ter a responsabilidade pela família, como eu tive.

Tinha que levantar às cinco e meia, no máximo era seis e não se levantasse, não? [De manhã] feliz quando tinha a farinha pra comer com café. Aí pegava um doce, rapadura. Meu pai pegava aquele doce, jogava dentro duma coité, que naquela época não existia coisa de plástico, ou então uma lata, colocava a farinha dentro, a gente ia pro trabalho. Levava uma cabacinha d´água. Até quando dava nove hora e a gente ia comer aquele doce com farinha, bebia água. Quando era onze e meia pras doze hora, voltava pra casa pra pegar quatro caroço de feijão. Tempos, tempos já passava bem porque os terreno oferecia riqueza pros lavrador. Era uns terrenos forte, dava tudo, o pouco que plantasse tinha uma boa colheita. No tempo da colheita todo mundo era rico.

Teve uma época de passar fome. Nessa época de fome maior eu tinha oito ano, mais ou menos. Não tinha nada pra comer. O meu pai trabalhava, ele sempre tinha a rocinha dele e fazia pra ele. A minha mãe pegava mandioca, fazia aquelas farinhazinha e guardava pra eles. A melhor era pra ele, a que saísse mais ruim era pra nós comer. Aí, nós escapava, ia pros mangue pegar caranguejo, aratu, pras lagoa. Nós ia pras lagoa pescar de anzol, pegar cará, enchia de peixe. Meu pai pescava, só que ele não era pescador de jangada. Meu pai caçava, meu pai era agricultor, ele saía, ele não tirava naquela época, todo mundo podia andar armado com espingarda pra matar caça porque tinha caça à vontade. Hoje em dia, ninguém pode fazer mais, porque ninguém necessita matar um animal.

Além do futebol, tinha o forró, uma novena, o terço. Mês de maio, o mês era todinho de festa de novena. Era novenas pra rei, hoje era o dia da coroação na Igreja do Pecém, tinha aquela devoção toda, era uma festa a noite todinha. Depois de eu casado foi que eu tive o passeio de ir pra essa cidade, vi passar a ter calçamento, casa de tijolo, casas boa. Lá, só quem tinha casa de tijolo, na época de eu solteiro, era os rico, o resto tudo era casa de palha. Eu fui um que, rapazinho, eu botava palha de coqueiro pra população lá, junto com meu pai. Tirava daqui dos coqueiro, levava pra lá pra Pecém de modo fazer as coberta das casa. Pegava palha de coqueiro, dobrava, virava ela, aí ela se tornava aquela esteira e cobria a casa. Porque foi os pais que ensinaram meu pai e foi ele que ensinou a nós. Hoje em dia eu não faço mais isso porque eu não preciso, graças a Deus, mas eu fazia minhas casa. Era casa de palha, casa de taipa. Colocava barro nas parede, colocava os enchimento, as vara amarrado com cipó. Não existia banheiro, só existia banheiro de palha perto das cacimba pra tomar banho, mas banheiro mesmo pras necessidades era no mato, na base da folha, pau ferro, mufumbo, sabugo de milho.

Quando ficava doente, antes de tudo pedir a benção a Deus pra ele curar, encontrar um remédio que combatesse com aquela doença. Ou então, Deus mostrasse um rezador, porque era na base do rezador. Não existia, no tempo da minha infância só tinha doutor para o rico porque não tinha aqui. Quando adoecia uma pessoa aqui, como era que ele ia pelo menos pra Caucaia? Não tinha como, porque não tinha transporte. Era só areia. Transporte daqui era jumento. Cavalo, jumento, burro, essas coisa assim. A gente passava era dois dia de viagem. Quando ele não podia ir, mandava a rezadeira, ensinava o remédio caseiro, com a fé que a gente tinha em Deus e naquela reza. A mãe dava o chá pra aquela criança ou adulto mesmo, como quer que seja. Ele tá doente duma doença que não é possível com um chá ele ficar bom, dava uma purga de uma colher de óleo de rícino com café amargoso, era nove dias de resguardo. Era pra fazer, tipo limpeza.

Eu me lembro que a gente chamava a parteira cachimbeira. É por que todas elas fumavam cachimbo. Primeiro chegava e acendia o cachimbo, tem até uma música do Luiz Gonzaga. Então, ela acendia o cachimbo pra modo de dar aquelas palmadas de fumar aquela mulher todinha, com aqueles fumo com incenso.

Eu fumei muito. Eu fumava cachimbo, eu mascava, tomava torrado, o rapé. Meu pai fumava e mascava. Minha mãe fumava e mascava. E era todo mundo, era difícil uma pessoa pra não mascar e fumar nessa época. Era gostoso, na boca da noite, quando os velhos se sentava no claridão da lua, no terreiro, na areia limpa, aí, os velhos fumando cachimbo e a meninada brincando encostado, contando história. Uma chaleira de barro, que a gente chamava o nome de periquiteira que era de coar o café bem ali encostado, de modo deles beberem o café naquelas tigela de quenga. Não tinha dinheiro, todo mundo era alcançado. Mas era gostoso, era bom.

Aqui só tinha jangada de piúba. Quando chegou o primeiro barco de casco dentro do Pecém, eu tinha 16 ano. Foi uma festa, na praia parecia uma procissão. Acho que numa procissão tinha até mais pouca gente pra ver esse barco, que ele num encalhava, mas ele ficava na praia, na costa, todo mundo via aquele barco motorizado. Aí, foi uma festa pra todo mundo. E o carro? O carro quando apareceu aqui, esse carro do Antônio Brasileiro que vinha aqui, a gente fugia do serviço, escondido dos pais e até meu velho, meu pai, ia olhar esse jipe.

Namorei só pra casar. A minha esposa eu conheci numa novena de Santo Antônio. Eu jantando peixe-preto, quando ela se apresentou-se, teve lá na casa, vizinha da minha irmã, mês de junho. Aí, cheguei, encostado dela, não sei se foi com a minha milonga, se foi com a caatinga do peixe, se embriagou-se, no fim, nós comecemos a conversar e tal. Aí, ela disse: “Só que meu pai é brabo”. “Só que ele sabe que eu sou trabalhador, eu quero é casar Maria, é sério”. Eu com 21 ano. Nessa época meu pai tinha deixado a minha mãe, minha mãe cegou, eu tinha 16 ano. A minha mãe não morreu de esmola porque nós trabalhamos muito, quando nós tinha um irmão, mais velho do que eu, nós tomemos de conta da casa.

O véio me conhecia demais, eu trabalhei muito mais ele. Ele sabia que eu era um homem trabalhador, um homem, não, um pedaço de homem, porque tudo eu fui pequeno, pouco. Pra encurtar a história, eu namorei primeiro com o velho, pra depois eu levar ela. Eu com 21 ano de idade, nós namoramos, terminamos o mês de junho. No meio do verão pedi ela em casamento. Eu tinha o maior desejo de que quando eu fosse me casar, eu ia ter aquele privilégio, aquele prazer de assinar meu nome, que eu não sabia nem como era, só conhecia, eu só sabia que meu nome era Antônio, mas não sabia o resto. Então eu falei pra uma prima da minha esposa: “Olha, Mazé, eu tô com vontade de me casar, eu vou trabalhar pra me casar”, eu já namorando com ela, “Vou me casar e eu não sei fazer nem meu nome, tu não quer me ensinar?” E ela ensinava umas criança à noite. Então eu fui lá, foi onde eu aprendi a fazer meu nome, ela me ensinou fazer meu nome, e pronto. Digo: “Isso aqui é o suficiente, o que eu queria é esse e pronto”. Porque se eu não assinava meu nome, pra mim eu não ganhava a mulher bem direitinho. (risos). Aí, não deixava ela no seguro (risos). Só no dedo, isso aqui, o dedo, pode ser de qualquer um, isso aqui, a assinatura dele aí, ninguém tira.

Eu plantava mandioca, o milho, o feijão e a mamona. Era só pro consumo da família. Se nós fizesse uma fartura que sobrasse bastante, nós armazenava. Tive cinco filho. O primeiro era Manuel; segundo, José; terceiro, Cristina; quarto, Antônio e quinto, Creuzinha. Morreu três, morreu dois ainda criança e um já com 17 ano. O Manuel morreu com 17 ano. Os outros dois morreram de criancinha novinha ainda.

Já depois de casado com três filho nascido, fui morar num terreno dum tio da minha esposa. Depois eu fui. Foi quando que eu saí dessa casa do meu tio, da primeira casa que eu fiz, fui pra segunda, a casa no terreno do tio dela. Depois fui pro terreno do meu sogro, em Matões. Onde nós passemos, até muitos anos, tá com seis ano que nós saímos de lá de nosso local. Eu saí de lá por causa do motivo da perca da minha filha. A Cristina. Ela apanhou uma doença, nasceu um caroço maligno nela. Eu lutei com ela dois mês. Ela era casada. Tinha esses filho aqui. Quando ela faleceu eu fiquei meio lelé, num tinha como eu ficar lá porque ela era tudo pra mim. Ela era minha filha, ela era minha mãe, era minha conselheira. Ela era quem tomava de tudo conta. Quando eu era necessitado ela fazia comida, ela fazia. Aí, eu não suportei lá e vim embora pra casa de minha irmã, me acolheu aqui.

Lá eu não tinha mais roçado, lá eu vivia de horta. Eu vendia o cheiro verde, o chamado o coentro, cebola. Cheguei a plantar pimentão, tomate, alface. Eu comecei a vender na porta, como se diz. Aumentei a verdura, passei a vender no mercado de São Sebastião, Fortaleza. Eu passei 20 ano trabalhando na horta.

É uma longa história do Movimento Indígena, porque antes aqui, existia o índio, há uns anos, a mil anos atrás. E vem rolando essa história de geração pra geração. De meus avós contava pros meu pai, meus pais veio trazendo essas história. E veio chegando a nós. E veio o massacre pra cima dos índio e tiveram que sair daqui. Os que escaparam na guerra, porque houve uma guerra contra eles. Os que puderam se escapar foram embora daqui. E aí ficou gente com sangue indígena. E por isso, quem ficou, quem é filho nativo daqui, se considera como indígena.

Meus avô contavam que ainda chegaram a alcançar, como é que se diz, resto de cabana de índio. As cabana de índio nas mata. Resto de prato de índio, prato de barro de dois, três dedo de grossura. Eu, depois de casado, já velho, já uns 15 ano atrás, mais ou menos, eu cheguei a arrancar uma botija de índio. Vem rolando essa história porque os índio tinha um poder, eles tinha um dom dado por Deus, eles deixava a educação da natureza pro povo. Era a educação que não existia leitura pra ninguém porque o índio nunca estudou, a sabedoria dele foi dada pela ordem da natureza. Eles curavam, eles viviam a vida, segundo me falavam, e vem embolando essa história. E como tava com o terreno parado, quem arrancou essa história, através de um padre, foi o Júnior. Por isso é que eu digo que o Júnior, ele só não é a raiz porque a raiz da história foi os índio que já se foram, mas ele é o tronco e é o galho e as folha desse nosso Movimento Indígena.

Houve um pouco de impacto [as obras do Pecém] porque Governo é Governo, ele abaixo de Deus, o Governo tem o poder. Por isso tem muita gente que, na primeira vez que foi desapropriada, a primeira desapropriação, morreu gente, morreu senhora, senhor de idade, com pena de deixar seu terreno local natal, que é onde nasceu, criou-se, onde viveu a vida maravilhosa. Por aquilo ali causou aquele desgosto, com aquela doença de ir, aí, morreu no local. Antes de ser transferido pro outro lugar, morreu.

Eu não fui afetado, por que que eu não fui? Agora eu podia ser. No momento agora eu podia ser, porque lá onde eu tô falando, onde tem aí nesse retrato aí, onde tem essa barraca aí é dentro dum terreno onde ele vai ser desapropriado. Já foi desapropriado também na rabeira do terreno. E ali pra sair, como o Governo não quer que ninguém passe dificulidade, passe doença, ele vai ser desapropriado. Eu não fui afetado por isso aí. Antes quem me tirou daqui foi aquela perca da minha filha, que eu vim pra cá. Aqui, no momento, ninguém tá pensando de acontecer isso daí. Pode acontecer, mas ninguém tá pensando de que pode acontecer isso agora, aqui.

Eu planto esses pauzinho de roça aqui, bem pouquinho. Você olha isso aqui, eu planto pouquinho. É só esse pedacinho de chão aqui porque, pra não deixar o mato invadir. Graças a Deus, sou aposentado. Aposentado eu e minha esposa. Meu filho é deficiente, ele é beneficiado. Aí, só pra trás, não tenho mais coragem de trabalhar, já tô velho.

Esse futuro dessa região aqui, pelo uma parte, pra quem não tem nada e quem não sabe de nada é um sofrimento. Pra quem não tem capacidade é um sofrimento, não vou negar. Mas pra quem tem capacidade é um mar de rosa, porque tem tudo, o emprego tá na porta; a sabedoria, as bondade, a beleza, a riqueza tá na porta. Dependendo da noção do estudo da pessoa e a capacidade da pessoa. E a pessoa que busca aquilo ali, porque se eu vou dizer que se eu sou um jovem, eu tenho estudo, um bom estudo e eu não busco aquela beleza, aquela bondade lá na frente, eu caço, eu corro por outro lado da marginalização aí, quer dizer que eu perco tudo que eu tenho de bom na minha vida. Eu não vou, eu não tenho sorte de ver, aquela, a bondade que vai ficar aí na frente. Porque a tendência de quem é marginal é cadeia e cemitério, o futuro dele é isso daí. E aí, quem busca uma luta de sobrevivência, de melhoria de vida pra ele, pra filhos e neto que aparecer aí, quer dizer que ele alcança. Ele faz buscar, aproveitar seus bons estudo numa coisa que vale a pena, ele vai alcançar o que de bom vem aqui na frente. Agora nós tamo no primeiro pilar ainda da bondade, pelo um lado uma bondade e por outro, como se não tiver umas autoridade também, tem uma dificulidade pra vida de cada um que ficar aqui nos arrebalde. Que fica, até pra próximo dentro da cidade. Porque sabe que onde corre dinheiro, corre a ganância. E onde corre a ganância, corre a miséria. E é assim.

O meu sonho é terminar o resto da minha vida mais feliz do que é o que eu vivo. Em primeiro lugar, ver a minha esposa e o meu filho com saúde, lutando com a casinha dela. E meus neto ter um bom, serem uns bons estudioso, eles terem umas boa memória pra eles terem um bom estudo, pra eles ganhar um bom emprego, que eu não tenho nada pra deixar pra eles.

Olha, eu me senti um, ter esse privilégio, isso foi uma satisfação, um prazer tão imenso. Você não queira sonhar, mas só tem Deus pra saber o que eu tô sentindo dentro do meu coração aqui, de paz, amor. Uma felicidade de mais uns amigos que eu não esperançava de acolher pra mim, pro meu coração, como são vocês. Eu considero como uns grande amigo pelo jeito de vocês acolher a gente, abraçar a gente, tratar a gente. Aquele amor que eu sinto que vocês tem por cada um e tão tendo por mim, eu fico grato. Eu fico grato por essa presença de vocês.

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